Mega Man 10 é picaretagem.
Quem teve a paciência de acompanhar esse humilde recinto ou mesmo de vasculhar nos seus arquivos sabe que sou uma pessoa azeda, mau humorada, sem graça e meio do contra. O último só por diversão. Sabe também que eu gosto dos jogos bons. Dos ruins também, mas prioritariamente dos bons.
E eu adoro Mega Man. Na verdade é uma das minhas séries favoritas junto com Castlevania.
Porque picaretagem, então, se vão reviver (de novo) uma série tão boa de jogos tão bons do jeitinho que a gente lembrava e amava? Pois é, essa última coisinha aí é que é o meu problema. Eu não quero as coisas que eu gosto do jeito que eu gostava quando as conheci. Pelo menos não mais. Para isso tivemos Mega Man 9, pro qual eu já dei uma bela torcida de nariz como vossas senhorias podem averiguar aqui mas que, pensando em retrospecto, é até algo passável. Justificável, até.
Mas fazer duas vezes a mesma coisa? Aí não. Encontro-me de boa. Eu não vou nem discutir a inclusão de um Sheep Man, um Homem-Ovelha-Robô na história, que talvez seja a melhor ideia que tenham tido nesse negócio todo. Só que lançar o segundo Mega Man 2D 8-bits nesse estilo primeiro que me cheira à preguiça ("rehash" como disse meu bom amigo Takeshi "DFF" Oyama"). Segundo que me cheira a retrocesso.
Eu francamente não sei se o melhor caminho para a já bem falia franquia do heroizinho azul é se manter nas aventuras 2D. Mas sei não se renova nada ficando preso ao passado. E sei que o futuro podia ter sido Battle Network, mas não foi. Sei também que, infelizmente, o pai Keiji Inafune hoje em dia não dá duas merdas para o que acontece com série.
Mega Man Legend 3? Duvido. Só mencionaram porque sabem que nunca vão fazer.
O risco de inovar existe. Ele sempre existe. E é capaz que, como o próprio Takeshi falou, perderem mais fãs antigos do que conquistarem novos, caso fossem apostar em algo realmente novo. Prefiro, porém, que meu herói morra com alguma dignidade do que continue vivendo na mediocridade.
Mas é claro que a minha opinião não vale picas.
Fernando Mucioli, Mestre Robô
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Ka-Tching

Disse, digo e repito: Street Fighter IV e Mega Man 9 são jogos puramente e somente caça-níquel.
Outro dia o meu chefe e mentor Gabriel perguntou mais ou menos assim, meio na brincadeira: "Como a Capcom conseguiu voltar a ser tão animal recentemente?". Respondo agora. Nostalgia.
Qual a relevância de se lançar um Mega Man 9 8-bits nessa altura do campeonato? Não seria melhor fazer o retorno triunfal de outro jeito, um novo jeito, não algo que apenas represente só (de novo) nostalgia?
A franquia anda mais ou menos falida. Nem Star Force nem ZX têm dado conta de manter a moral do pequeno andróide azul nem no Japão nem nos Estados Unidos. E aparentemente apelar para as boas memórias de infância de alguns jogadores - e do gosto pelo antigo de outros - é a receita perfeita para "imprimir dinheiro". Não minto: vou querer jogar, e provavelmente me divertir com esse novo Mega Man. Exatamente como eu fazia quando eu tinha meu NES. E esse é o problema.
O novo Street Fighter é outro caso interessantíssimo. Yasunori Ono, o produtor do jogo, é como um Getúlio Vargas do mundo dos games: populista até o osso. Faz um jogo com o "espírito" de Street Fighter II, cria um bando de personagens sem a menor inspiração só pra agradar o público americano - um grande foco da Capcom recentemente, não pra menos - e fica naquele papo de como SFIII era complicado demais e como as coisas eram boas antigamente. Ler as entrevistas que ele dá me deixa com vontade de arrancar meus olhos fora e dançar tanto em cima deles.
Sheng Long no jogo? Pff.
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