domingo, 10 de agosto de 2008

Inspiração, Transpiração

Você conhece o Tim Rogers? Já leu alguma coisa dele?

Se você escreve ou tem pretensões de escrever algo para videogame e sua resposta for não, pare o que estiver fazendo e não pense em voltar enquanto não tiver lido pelo menos uns três ou quatro textos dele. São longuíssimos e proporcionalmente fascinantes.

Aproveitando bucho cheio e a leseira que batem sem dó depois de um belíssimo almoço de Dia dos Pais, decidi aproveitar o tempo e ler mais algumas coisas dele no site linkado acima - especificamente os reviews que demonstram porque Castlevania: Bloodlines, Breath of Fire: Dragon Quarter e Monster Hunter Portable 2nd G estão entre os 25 melhores jogos de todos os tempos na opinião desse jornalista americano que, pelo que me consta, mora no Japão.

Apesar de não concordar exatamente com tudo o que é falado nesses textos, não dá pra negar que a análise contextual é extremamente interessante - em alguns desses ensaios, o Sr.Rogers fala muito pouco do jogo em si. O foco são os conceitos, os temas, os lugares, os momentos que os cercam.

Por isso mesmo - por essa riqueza desregrada e por vezes exagerada - me recordo de algo bem óbvio: para nós aqui, residentes de terra brasilis (e quando digo nós, digo nós jornalistas, nós jogadores e nós consumidores) vemos esse tipo de texto como uma crítica simples, uma resenha de cunho meramente (?) utilitário. Lê-se o texto para saber, de maneira muitas vezes rasa, se o jogo "é bom" e se vale a pena comprá-lo.

Ora, realmente nada contra esse formato. É uma das coisas que garante o nosso tão sofrido ganha pão nessa ingrata e sofrida profissão de Deus. Além do que, creio que o antológico Fábio Santana já entrou nessa discussão no seu próprio blog, e não cabe repetir a dose em um nível menos aprofundado aqui. Mas não seria extremamente interessante se pudéssemos dar uma chance a nós mesmos e explorar esse outro lado das análises?

Sinceramente eu não faço idéia da existência ou não de um público que tem fome desse formato, e muito menos se esse que vos bloga teria a capacidade mental de tecer textos sublimes com sacadas geniais, como a do Sr.Rogers citado acima. Mas, no mínimo no mínimo, valeria pelo exercício e pelo desafio.

Quem toparia encarar uma dessas?

Um comentário:

Fabio disse...

Mano, encontrei outro cara que conhece e acompanha o Tim Rogers além de mim, do Dougão e do Marcel. :P
Eu já tinha mencionado sobre minha admiração por ele lá no Gamer Lifestyle (embora acompanhado de uma crítica a um vício dele :P), e aqui reitero que o cara é foda. Quem mais no mundo faria um artigo sobre a Hori e o criador do Periborg? :P
E, sim, ele mora no Japão - supostamente...

Abraços, velho! ^_^